A endometriose pode ser caracterizada como a presença de tecido de endométrio, parte que reveste o útero, fora da cavidade uterina (trompas, ovários, intestino e bexiga).
É uma das patologias ginecológicas benignas mais comuns, atingindo uma em cada dez mulheres em idade fértil. Apesar dos inúmeros trabalhos de pesquisa ao longo dos anos, a endometriose continua a ser uma doença enigmática quanto à sua progressão.
Fatores
Hormonais – os hormônios esteroides exercem papel significativo na patogênese da endometriose, que depende do estrógeno para se desenvolver; não ocorre antes da menarca e é rara em mulheres com ciclos anovulatórios
Ambientais – as dioxinas emitidas a partir de processos de combustão contaminam indiretamente a cadeia alimentar e se acumulam no tecido adiposo
Imunológicos – alterações imunológicas na cavidade peritoneal diminuiriam as chances do organismo se defender das células de endométrio implantadas nos tecidos
Genéticos – parentes de primeiro grau de mulheres com endometriose têm risco 6,9 vezes maior de apresentar a doença
Anatômicas – algumas malformações vulvovaginais e cervicais favorecem o refluxo tubário e o desenvolvimento de implantes
Causas
Diversas teorias foram propostas para explicar as causas da endometriose, mas nenhuma conseguiu esclarecer totalmente a origem da doença. Por isso, acredita-se que a associação de vários fatores causais seja a forma mais adequada de explicá-la.
Metaplasia celômica: em 1919, Meyer propôs a transformação do epitélio celomático em glândulas e estroma endometriais a partir de estímulos hormonais. Atualmente é a teoria mais aceita para explicar a endometriose em ovário, septo retovaginal e intestino.
Menstruação retrógrada: proposta por Sampson em 1921, sugere fluxo menstrual retrógrado através das tubas uterinas, com implante e adesão de fragmentos de endométrio no peritônio. É a mais aceita para explicar os focos peritoneais.
Disseminação linfática e hematogênica: por algum tempo usada para explicar focos à distância, hoje não é aceita, pois nunca conseguiu ser comprovada.
Sinais e sintomas
Cólica menstrual – um dos sintomas mais frequentes, variando de formas leves até incapacitantes
Infertilidade – 25% a 50% das mulheres inférteis apresentam endometriose
Dor na relação sexual, descrita na profundidade da vagina
Alterações intestinais na época da menstruação (diarreia, intestino preso, sangramento anal)
Alterações na bexiga e vias urinárias na época da menstruação (dor ao urinar, sangramento na urina)
Dor contínua, independente da menstruação, principalmente em casos mais avançados
Localização
Ovários (endometriomas ovarianos)
Peritônio (tecido que recobre os órgãos)
Tubas uterinas
Intestino e regiões próximas: ligamentos uterossacros, região retrocervical e septo retovaginal
Vias urinárias: bexiga, ureteres e, menos frequentemente, o rim
Diagnóstico
Avaliação dos sintomas clínicos: cólica menstrual, dor fora do período menstrual, dispareunia, infertilidade e alterações intestinais e urinárias
Exame ginecológico minucioso com especialista, incluindo toque vaginal
Ultrassom transvaginal com preparo intestinal
Ressonância magnética da pelve
CA125 – sensível, porém pouco específico para firmar o diagnóstico isoladamente
PATOLOGIAS
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